quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Eu amo esta empresa.


Passei vinte e tantos anos trabalhando em agências de propaganda. Nunca morri de amores por nenhuma delas. Isto inclui a minha, fundada em 83. Na verdade, nunca fui inteiramente feliz nesta profissão. Nada contra as agências e o trabalho dos publicitários. “Eu sou eu e as minhas circunstâncias”, diria o filósofo espanhol Jose Ortega Y Gasset. Entrei por acaso na Propaganda. O negócio dava um bom dinheiro, o convívio com os meus amigos publicitários sempre foi muito gratificante, tive excelentes oportunidades, aprendi para caramba, consegui ser um bom profissional, tive sucesso algumas vezes, mas, confesso, nunca estive inteiro na Propaganda. Eu não era quente e nem frio. E morno, você sabe...

Paralelamente, eu fazia palestras, treinava, orientava e alavancava a carreira profissional de um monte de gente. Este era o meu ofício. Descobri isto recentemente. Ano passado, Rodrigo Losina, fundador da Alfamídia, me convidou para ser o seu sócio na empresa. Desde então, vivo uma espécie de estado de graça. Estou feliz, inteiro, entusiasmado e apaixonado por minha empresa. Eu amo a Alfamídia.

Não conheço Steve Ballmer. Nunca nos encontramos. Sei muito pouco a seu respeito. Mesmo assim, gosto deste cara. É apaixonado, intenso, entusiasmado. Alguém dirá: também, com toda a grana que a Microsoft lhe paga! Posso estar enganado, mas algo me diz que Ballmer não é movido só a dinheiro. Os gregos antigos diziam que pessoas entusiasmadas eram repletas de Deus. Se eu estiver certo sobre Ballmer, o vídeo acima dá uma noção da quantidade de Deus que ele carrega. Who knows? De qualquer forma, faço minhas as quatro palavras dele neste vídeo.

Obs.: Duvide, se alguém tentar lhe convencer que trabalho é incompatível com felicidade.

O essencial não se aprende nas escolas.


Dia desses, lembrei dos incontáveis barracos, invariavelmente armados por mim, durante as reuniões de pais e mestres das escolas onde meus filhos estudaram. Para desespero dos mestres e desconforto dos pais, sempre participei ativamente destes encontros. Ingenuamente, tentei provocar nestas reuniões bons debates sobre a qualidade do conteúdo, os métodos de ensino, o ambiente, os papéis dos professores e a atmosfera idiotizante que desencorajava nossas crianças a pensar criticamente. De um lado, os pais, interessados na posição da escola no ranking das instituições que mais aprovavam no vestibular, aquele maldito quiz-show que nos trata como placas de memória RAM. De outro, os professores, engessados e fortemente vigiados pelos donos daqueles business educionais. Nestes lugares, os alunos são tratados como idiotas e os pais, como clientes. Depois de uma longa série de tentativas, joguei a toalha. Os meus filhos aprenderam o essencial, durante almoços e jantares. Em casa.

Você não é pago para pensar.


Durante muito tempo, as escolas, os cursos técnicos e as universidades atenderam com extraordinária eficácia às expectativas do empresariado brasileiro pré-globalizado, no que diz respeito à formação de pessoas para o mercado de trabalho. Da metade do século 19 para cá, estas instituições esmeraram-se em formar mão de obra, “gente boa para o batente”; gente disposta, pontual, obediente, esforçada, leal, não inovadora e não pensante. Quem, aí, nunca ouviu um chefe entoando o mantra aplastante, “você-não-é-pago-para-pensar”, “você-não-é-pago-para-pensar”, “você-não-é-pago-para-pensar”. Durante mais de 10 mil horas, mantivemos as nossas bundas pregadas em bancos escolares e os nossos olhos fixos em quadros-negros e mesas de professores, estrategicamente colocadas em cima de tablados (talvez, com o propósito de evitar que tivéssemos dúvidas sobre quem detinha o conhecimento e dava as ordens no pedaço). A educação formal no Brasil foi e continua sendo grandemente responsável pela produção, em escala, de milhões de brasileiros condicionados, submissos, conformados e incapazes de lidar com as demandas do empresariado nacional pós-globalizado. Agora, o mercado tem fome de gente que pensa.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Reze.


Joguei a toalha. Perdi a esperança (quase toda). Na verdade, sobrou uma única ficha e pretendo apostá-la no empresariado brasileiro. Só eles podem tirar o país desta indigência intelectual. Você aí, jovem em busca de colocação no mercado de trabalho, reze para que eles continuem investindo em educação. Dedique também algumas preces para que eles sejam iluminados e entendam que turn-over não pode servir como justificativa para não investirem em treinamento e desenvolvimento de pessoas. Se a empresa investe no funcionário e, depois, ela o perder para um concorrente, mesmo assim, este dinheiro terá sido bem aplicado. Este dinheiro ajudou a tirar o país deste miserê. O empresário que lê este post pode estar pensando: “que patriotada é essa, Provocador?” Não, isto não tem nada a ver com patriotismo. Isto tem a ver com a sobrevivência do seu negócio. Tem a ver com lucratividade e competitividade. Você, empresário, não tem escolha. A sua concorrência está mordendo os seus calcanhares. Você precisa descentralizar. Precisa urgentemente de gente qualificada. Como não tem muita, sinto informar, você terá que qualificá-la. Claro, você também pode guardar o seu rico dinheirinho e acreditar nos discursos dos políticos. Outra alternativa é apostar no voto inteligente do povo brasileiro. Nas últimas eleições presidenciais, o candidato focado na Educação fez 2% dos votos. Se você não está com pressa...

domingo, 12 de setembro de 2010

A Feira está sendo encerrada e eu lembro de Bansky.


Bansky faz graffiti. O cara é uma lenda. As suas provocações são memoráveis. Uma delas foi infiltrar um quadro de sua autoria no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Na tela, havia a imagem de uma lata de sopa. O quadro ficou lá, durante três dias sem ser notado. “Foi a minha irmã quem me inspirou a fazer isso,” contou o provocador, numa das suas raríssimas entrevistas. “Um dia eu a surpreendi jogando no lixo vários trabalhos meus e perguntei a ela porquê. Ela me respondeu: “Ora, até parece que um dia eles vão ser pendurados no Louvre!" O cara tomou o comentário como um desafio: “Por que esperar até eu estar morto?” Mas, afinal, por que lembrei de Bansky? Por que escrevi este texto? E mais. Por que publiquei, na barra aí ao lado, uma lista de Admiráveis Provocadores? Tudo isso, nos minutos finais da Feira do Empreendedor? Vou pensar mais sobre isso. Se eu encontrar respostas para estas perguntas, conto pra vocês.
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Repeat after me: co-co-ro-co-có.


Dou mais um giro pela Feira do Empreendedor e penso: o RS tem vocação para produzir. Não tem vocação para vender. É boa a quantidade de empresas expositoras. Deveria ser maior. Muita empresa boa (e secreta) deveria estar aqui. Não entendo. Quer dizer, acho que entendo. Nós, gaúchos, somos exageradamente low-profile. Somos inventivos, qualificados e trabalhadores. Nos últimos 30 anos, por exemplo, SP importou a gauchada para ocupar cargos importantes em empresas dos mais variados setores. Os paulistas não brincam em serviço. A preferência deles pelos gaúchos é só mais uma prova da nossa competência. Nós somos muitos bons. A gente só não sabe cacarejar. BlogBlogs.Com.Br

Domingo na Feira.


Revejo pessoas queridas e talentosas, na Feira do Empreendedor. Tatiana Brugalli, Gladimir Dutra e Melissa Lesnovski tocam com muita competência a Aldeia, uma das agências digitais do RS mais qualificadas do país. A empresa tem sedes em Porto Alegre e São Paulo. Clientes, só “cachorro grande”. Algumas das maiores marcas do País. O sucesso da Aldeia é merecido. Fiquei feliz pra caramba com o reencontro. Na foto, Tatiana e Luiza (sua mais recente criação em parceria com Gladimir) e Melissa (esta menina sabe tudo de Planejamento). Brevemente, Melissa vai estar na Alfamídia para conversar com os alunos da Alfamídia. Aviso vocês. BlogBlogs.Com.Br

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

No tears.


O choro é livre, mas improdutivo, paralisante. Uma parte do RS tem produzido lágrimas em quantidades industriais. Dizem que duas em cada três pessoas em todo mundo correm o risco de ficarem sem água até 2025. Uma coisa é certa: o RS não morrerá de sede.

Escrevo diretamente do estande da Alfamídia, na Feira do Empreendedor. O ar-condicionado do Centro de Eventos da Fiergs é muito bom. A conexão internet é lenta. Não o bastante para tirar pentelhos, como eu, fora do sério. O público presente (expositores e visitantes) é predominantemente jovem. Até agora, não ouvi, nem vi choradeira. A parte chorona do RS não veio e não mandou representantes. Ótimo. Este pessoal é altamente contagioso.

Até domingo, vou postar daqui do estande da Alfamídia. Vou conversar com alguns representantes da parte do RS que não chora. Que acredita. Que corre riscos. Vou conversar com a parte capitalista do RS. Mantenho vocês informados.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Desta vez, provoquei o mundo.



2ª feira, véspera do 7 de setembro. A jornalista Denise Cruz abre um baita espaço para as minhas provocações no seu Programa Gaúcha Fora do Ar. O "canhão" Rádio Gaúcha me permitiu provocar o mundo. Obrigado, Denise. Clique aqui para ouvir a entrevista. Comentários, críticas e sugestões serão sempre muito bem-vindas.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Zzzzzzzzzz


Não se enganem, o gigante continua adormecido em berço esplêndido. É verdade que ele ultimamente tem dado sinais de que finalmente pretende acordar: abriu um olho, bocejou, mexeu o corpanzil, espreguiçou, coçou a pança e parece disposto. Assim como eu, tem muita gente acreditando que, desta vez, o gigante levanta e vai à luta. Mas, atenção! Não podemos esquecer que o cara já fez isso antes, virou para o lado e roncou. Entre outras coisas, perdeu duas décadas. Portanto, é bom ficarmos atentos. Como diria Marcelo D2, vamos fazer barulho! O Brasil tem que acordar. Todo mundo precisa que o Brasil acorde. Se você tem entre 18 e 25 anos, pode ter certeza, precisa muito, mas muito mesmo, que o Brasil acorde. Por isso, aqui na Alfamídia, a gente provoca o gigante. Sabe como? Inovando. Provocando. Desenvolvendo pessoas. Formando profissionais diferenciados. Assim, a gente acha que está ajudando a tirar o cara do seu berço esplêndido, de uma vez por todas.